Por: Rejane Freitas - Seagro
Data de Publicação: 5 de novembro de 2008
O Porto do Itaqui oferece as condições necessárias de infra-estrutura portuária para início imediato das exportações de gado do Maranhão para a Venezuela, como parte do Acordo de Cooperação Técnica Internacional Bilateral, que está sendo celebrado entre os governos do Maranhão e do Estado de Monagas, na República Bolivariana da Venezuela.
A informação foi dada pelo superintendente de Estudos de Mercado, da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Raimundo Neves, que está participando do III Encontro Técnico Maranhão/Venezuela, realizado no Pestana Hotel, em São Luís.
Neves disse que a retro-área do Berço 102 do porto, que possui 70 mil metros quadrados, equivalente a 7 hectares, tem condições plenas de fazer o embarque nos navios dos animais em pé. Ele destacou que é preciso, contudo, que seja elaborado um gerenciamento de horários e de espaços para o transporte, pois esta é a primeira vez que o Porto do Itaqui vai ser utilizado para a exportação de gado. Desde o ano passado, os criadores maranhenses vinham utilizando o porto de Belém para a comercialização de gado com a Venezuela.
De acordo com Aymoré Fernandes, médico veterinário da Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Aged) e responsável pelo Programa de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa no Maranhão, “será feito um planejamento técnico de escalonamento de embarque para evitar problemas de engarrafamento na BR e de congestionamento nos pátios de embarque do porto do Itaqui”.
Os gestores da Emap estão sugerindo à Associação de Criadores do Estado do Maranhão (Ascem), que o embarque seja feito em lotes de 10 caminhões, com 20 animais por caminhão. A viagem, do Porto do Itaqui até o Porto de Cabello, na Venezuela, dura entre 9 e 10 dias.
O superintendente de Mercado destacou que não haverá área de quarentena no porto. “O caminhão com o gado chega e já vai direto para o cais. Os animais deverão entrar nos navios com a utilização de esteiras rolantes”. “Deve ser feita uma gestão de tempo e espaço. Os operadores portuários do Itaqui têm os equipamentos e estão legalmente preparados. Mas o embarque de gado é uma carga nova, diferente”, frisou.
O médico veterinário da Aged adiantou que as questões relacionadas à quarentena dos animais antes dos embarques, serão decididas em comum acordo com os técnicos da Venezuela e do Maranhão, obedecendo-se às determinações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os representantes do Governo do Maranhão, do Ministério da Agricultura e da Associação de Criadores vão analisar as fazendas para definir os locais de quarentena.
São procedimentos técnicos, administrativos e operacionais para a comercialização do gado, a seleção dos animais, a quarentena de 30 dias no local de origem do rebanho, a realização de exames sorológicos e de exames e testes zoosanitários.
Raimundo Neves adiantou que os criadores deverão fazer um planejamento, discutir custos e manejos, realizar a capacitação da mão-de-obra portuária. Ele deu como exemplos de custos portuários o cobrado pelo uso dos guindastes, das bóias de sinalização de acesso ao porto e da retro-área, além do preço diário que é cobrado pela atracação, que é multiplicado pelo tamanho do navio.
Ele elogiou a iniciativa do Governo do Estado e o empenho dos criadores, acentuando os efeitos multiplicadores do acordo de cooperação técnica internacional, “que amplia toda a cadeia produtiva e insere o Maranhão no mercado de exportação de gado”.
Para o secretário de Estado de Agricultura, Domingos Paz, o governo está fazendo esforços para o desenvolvimento da pecuária maranhense, através da Seagro e da Aged: “Estamos avançando na cooperação entre os povos latino-americanos, abrindo novos mercados de comercialização, iniciando o intercâmbio de tecnologias”. “Com este acordo de cooperação, o criador maranhense terá mercado garantido, valores justos e compatíveis com os preços de mercado, escoamento da produção e garantia de recebimento do pagamento através da Carteira de Crédito do Banco do Brasil”, concluiu Domingos Paz.
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