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Maranhão vive momento histórico de abertura de novos mercados

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Por: Rejane Freitas - Seagro
Data de Publicação: 10 de novembro de 2008
Criadores maranhenses e missão venezuelana festejam sucesso do acordo de negociação bilateral  - Alta Resolução
Palmas, apertos de mão e muita vibração marcaram o encerramento das negociações e da visita da missão venezuelana ao Estado, após uma semana conhecendo importantes setores da economia maranhense, como parte do Acordo de Cooperação Técnica Internacional Bilateral, que está sendo celebrado entre o Maranhão e o Estado de Monagas, na República Bolivariana da Venezuela.
 
“Estamos trabalhando muito rapidamente para concretizar a Declaração conjunta feita pelo presidente venezuelano Hugo Chávez e pelo governador Jackson Lago, em março deste ano”, afirmou entusiasmada Gladys Rojas, cônsul da Venezuela em Belém.
 
Os acertos nas negociações em quatro câmaras setoriais de negócios (mandioca, soja, bovinos, bubalinos, caprinos e ovinos e defesa sanitária) que se estenderam por todo o dia da última quinta-feira, selaram os esforços conjuntos dos dois governos em estreitar os laços, expandir mercados e abrir o caminho da cooperação internacional entre os dois povos.
 
Cooperação contra a pobreza - “Estamos construindo uma nova concepção econômica no mundo, em que os ativos financeiros estão voltados para a aplicação em cooperação humana solidária e, não, em especulações financeiras”, lembrou Raimundo Palhano, presidente do Comitê Gestor do Governo do Estado, que trata do Acordo Bilateral.
        
“Não é somente um acordo comercial que estamos celebrando, mas sim a solidariedade e o espírito de cooperação entre povos que possuem uma identidade latino-americana. Tem o componente da parceria humanitária, a Venezuela importa 80% de tudo que consome. Estamos oferecendo tecnologia para um país que está em crise na produção de alimentos, vivendo uma insegurança nutricional e precisando, portanto, produzir muito mais alimentos para a sua população,” frisou o secretário de Estado de Agricultura, Domingos Paz.
 
Exportação da culinária maranhense - A Venezuela quer expandir o plantio e o consumo de mandioca no país, principalmente entre os agricultores familiares, diversificando também as formas de utilização na alimentação humana. Após as visitas da missão às lavouras de mandioca e casas de produção de farinha, ficou decidido que o Governo do Maranhão enviará equipes treinadas para qualificar os técnicos e agricultores familiares venezuelanos. Essa qualificação passa pelo cultivo da mandioca e pelo sistema de propagação rápida, tanto para a produção da fécula, como da farinha, informou o especialista em mandioca, engenheiro agrônomo Emílio Vellozo, da Semapa.
 
O governo venezuelano quer, ainda, introduzir no país a culinária maranhense, com pratos típicos feitos à base de mandioca, incentivando a cultura do consumo diversificado do produto na alimentação humana. As mulheres rurais de lá vão ser treinadas para preparar delícias como bolo de macaxeira, mingau de goma e beiju de tapioca.
 
“Estes produtos e tecnologias vão para os produtores pobres da Venezuela, em condições de vida realmente difíceis. O objetivo do acordo não é comprar nem vender, mas melhorar as condições de vida destes produtores,” acentuou José Victorio Salazar, assessor do setor agropecuário de Monagas.
 
Com a participação do Governo do Estado por meio das Secretarias de Estado de Agricultura (Seagro) e Indústria e Comércio (Sinc) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcen) ficou ajustado que o Maranhão transferirá tecnologia em produção de soja para o Estado de Monagas. “Será uma transferência de tecnologia para produção de sementes e para o cultivo comercial, com evolução para a integração lavoura x pecuária, como acontece na região Sul do Maranhão”, adiantou Gisela Introvini, superintendente da Fapcen.
 
Soja maranhense com ciclo curto na Linha do Equador
 
 
Gisela lembrou que o interesse do país vizinho nas variedades de soja maranhense, Tracajá e BRS Sambaíba, deve-se ao fenômeno natural do encurtamento de ciclo que ocorreu no plantio destas sementes em terras venezuelanas, por causa da proximidade da Linha do Equador, que diminuiu de 110 para apenas 90 dias. A colheita pelos produtores antes da chegada do período chuvoso tem aumentado a produtividade da soja plantada naquele país.
 
“O acordo bilateral vai permitir o incremento dos negócios da agricultura familiar e do agronegócio maranhenses, gerando mais renda e empregos, movimentando a nossa economia. Na contrapartida, o governo venezuelano também vai realizar cursos de capacitação dos agricultores maranhenses”, informou a engenheira agrônoma, Conceição Marques, representante da Seagro, no Comitê Gestor.
 
Pecuaristas animados - Os criadores maranhenses acertaram a exportação para Monagas, de caprinos da raça anglo-nubiano, ovinos da espécie santa inês, bovinos da raça girolando e bubalinos das espécies murra e mediterrâneo, de alta qualidade genética. Os criadores vão transferir tecnologia ao país vizinho sul-americano, com reprodutores puros, que possuem registro de origem. O Estado de Anzoátegui também adquiriu um carregamento de ovinos de alto padrão genético.
 
A assinatura dos Protocolos de Intenções produziu muito entusiasmo e confiança nos empresários locais, técnicos e gestores do Maranhão e da Venezuela, no estabelecimento de uma larga parceria comercial, e de ajuda mútua em longo prazo.
 
“Será uma exposição nos mercados internacionais, da alta qualidade genética dos nossos rebanhos,” declarou satisfeito com as negociações, Marco Túlio Dominici, presidente da Associação de Criadores do Maranhão (Ascem).
 
Quem também vibrou muito ao bater o martelo no acordo de preços para a exportação de búfalos foi o criador e professor universitário, Savigny Sauáia, um dos maiores defensores da bubalinocultura no Estado: “Este dia é histórico para a bubalinocultura no Maranhão. Agradeço os esforços do Governo do Estado para a abertura de mercado. Eu me lembro do meu pai me pedindo para nunca deixar de criar búfalos”, disse embargando a voz e silenciando de emoção. Há uma compreensão dos criadores de que esta é uma cooperação internacional comercial e social. A Venezuela está fazendo um programa anti-pobreza com o búfalo”, finalizou Sauáia.
 
Quanto às regras de defesa sanitária a serem obedecidas, foi definido que o Protocolo Sanitário será acertado entre os Ministérios da Agricultura do Brasil e do Poder Popular para a Agricultura e Terras da Venezuela.
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